Referências

“Quer se trate dos vestígios ou do corpo do outro,
a questão é saber como um objeto no espaço
pode se tornar o traço falante de uma existência,
como inversamente uma intenção, um pensamento, um projeto
podem se destacar do sujeito pessoal
e se tornar visível fora dele no seu corpo, no meio que ele se constrói.”

Maurice Merleau-Ponty – Fenomenologia da Percepção, 1945


“De uma simples mascarada à máscara;
de um personagem a uma pessoa, a um nome, a um indivíduo;
deste a um ser com valor metafísico e moral;
de uma consciência moral a um ser sagrado;
deste a uma forma fundamental do pensamento e da ação;
foi assim que o percurso se realizou.”

Marcel Mauss – Sociologia e Antropologia,
1950


“O estatuto da burguesia é particular, histórico:

o homem que ela representa será universal, eterno (….)
Enfim, a idéia primeira do mundo perfeito, móvel,
produzirá uma imagem invertida de uma humanidade imutável,
definida por uma identidade infinitamente recomeçada.”

” (…) uma de nossas servidões maiores:
o divórcio terminal da mitologia e do conhecimento.
A ciência segue rápida e diretamente no seu caminho;
mas as representações coletivas não seguem este ritmo,
elas permanecem séculos atrás, mantidas presas no erro pelo poder,
pela grande imprensa e pelos valores de ordem »

Roland Barthes –  Mitologias, 1957


“A imaginação social, além de fator regulador e estabilizador,

também é a faculdade que permite que os modos de sociabilidade existentes
não sejam considerados definitivos
e como os únicos possíveis, e que possam ser concebidos outros modelos e outras fórmulas”

“Os imaginários sociais operam ainda mais vigorosamente na produção de visões futuras,
designadamente na projeção de angustias, esperanças e sonhos coletivos sobre o futuro.”

Bronislaw Baczko – Imaginação Social, 1985

“A midiatização implica, assim, uma qualificação particular da vida,
um novo modo de presença do sujeito no mundo ou,
pensando-se na classificação aristotélica das formas de vida, um bios específico.
Em sua Ética a Nicômaco, Aristóteles concebe
três formas de existência humana (bios) na Polis:
bios theoretikos (vida contemplativa), bios politikos (vida política)
e bios apolaustikos (vida prazerosa).
A midiatização pode ser pensada como um novo bios,
uma espécie de quarta esfera existencial,
com uma qualificação cultural própria (uma “tecnocultura”),
historicamente justificada pelo imperativo de redefinição do espaço público burguês…
A questão inicial é a de se saber como essa qualificação atua em termos de influência
ou poder na construção da realidade social
(moldagem de percepções, afetos, significações, costumes e produção de efeitos políticos)
desde a mídia tradicional até a novíssima, baseada na interação em tempo real
e na possibilidade de criação de espaços artificiais ou virtuais.”

Muniz SodréEticidade, Campo Comunicacional, 2006


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